segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Emaranhado de nomes

Say cheese - Anthony Falbo.

Na leitura de revistas como Época e Veja, normalmente me destino diretamente às notícias sobre livros e cultura em geral, pulando sem culpa as páginas voltadas à vida política do país. Hoje fiz diferente. Arrisquei-me, com a última edição da Época, a ler por completo a seção que geralmente evito, a começar pela reportagem: " A jogada de Tarso", que trata das manobras políticas do ministro da Justiça Tarso Genro para permanecer no cargo, em meio aos escândalos da Abin e à disputa pelo poder na Polícia Federal entre duas facções antagônicas.

Confesso que li duas vezes a reportagem para apreender por completo as informações que ela apresentava. Não porque o texto estivesse mal redigido, pelo contrário: achei a redação excelente. A dificuldade, no meu caso, foi entender e memorizar a teia complicadíssima de nomes, cargos e interesses divergentes e particulares que compunham as quatro páginas da reportagem.
Assustou-me o fato de que todo aquele emaranhado de jogadas sujas tivesse como finalidade única algo tão efêmero quanto o poder. Arrepiou-me ainda mais pensar que são eles, os donos daqueles nomes que soavam para mim como ecos distantes, os responsáveis por trilhar os rumos de um país com 188. 298. o99 de habitantes, dos quais 12 % são analfabetos e outros 30% analfabetos funcionais, incapazes de conhecer o que se passa em sua nação não necessariamente por omissão pessoal, mas porque o sistema educacional do Brasil não foi capaz de lhes fornecer a instrução necessária. Onde eu estava com a cabeça quando me recusei a abrir meus olhos e ouvidos para as ondas de politicagem e mau-caratismo que insistem em fazer nosso país submergir para cada vez mais perto do caos? Os nomes dos responsáveis por nosso fracasso como nação estão por aí, soltos em páginas que nos negamos a ler. E o que é pior: seu nomes, assim como o de todos os exemplares da mesquinharia humana, passam, enquanto as conseqüências de seus atos ficam de legado para toda a sociedade.

Pouco afeita a esse tipo de leitura, me debruçarei com determinação -já que esta é uma ferramente indispensável para quem deseja entender o quadro político brasileiro - sobre notícias relacionadas com os bastidores do nosso governo. Farei isso não por que meu interesse por essas falcatruas se equipare àquele que nutri minha vida toda pela literatura, por exemplo. Minha decisão é motivada mais por um dever de cidadã capaz de compreender as páginas de uma revista e por alimentar, mesmo de longe, a esperança de ser surpreendida com indicadores de mudança numa dessas aventuras pelas páginas políticas do Brasil.