quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Trombone



Tornou-se simples fazer-se ouvido por milhões.

E você não precisa dizer algo muito elaborado, não. A graça é escrever o que vem à mente -''o que você está pensando'' - e apertar o botão 'enviar'. Assim, sem complicação. Sem se preocupar com o sentido do que está sendo dito, com o peso das palavras ou com os possíveis estragos resultantes. Digita-se, envia-se e pronto: suas palavras estão na rede e, a partir de então, fazem parte dela, estando acessíveis a quem cruzar seu caminho virtual.

O mais interessante de toda essa história é que ponderação e propagação respondem a uma proporcionalidade inversa cada vez mais intensa. Na era das redes socias, uma simples expressão de pensamento pode ser lida por um número imenso de pessoas e, mesmo assim, não damos a mínima importância para a qualidade do que estamos dizendo. Isso, no entanto, não significa que deixamos de nos preocupar com a repercussão de nossas falas - afinal, estamos sempre esperando alguém que ''curta'' ou ''retweet'' nossas idéias. Talvez, o problema esteja exatamente em ter mais zelo pela repercussão do que pela expressão em si.

Deparar-se com dizeres vazios, preconceituosos e impulsivos é, afinal, rotina de todo internauta. Possivelmente, a justificativa para tal fenômeno seja a grande quantidade de idéias velozmente propagadas na rede, que dão a nossas palavras uma feição descartável, por vezes sem valor. O fato é que, independentemente da origem desse desperdício verbal, a internet tornou-se palco de sujeitos que falam antes de pensar e grande risco que corremos é fazer desse péssimo hábito uma marca de nossa geração, tão pouco acostumada ao silêncio especulativo.
Silenciar, muitas vezes, é valorizar a palavra! ficaadica.