quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ainda estou procurando um título que não seja clichê



''Sei que a mudez, se não diz nada, pelo menos não mente, enquanto as palavras dizem o que não quero dizer''
(Clarice Lispector na crônica Persona)


Neste texto refiro-me à palavra escrita. E não estou falando das crônicas de Clarice (depois de ler muitas, o leitor sente-se tão intímo que dispensa o Lispector) ou das obras de Erico Veríssimo (do qual me deu uma saudade danada ultimamente). Refiro-me, na verdade, àquelas palavras que despretensiosamente escrevemos na agenda todos os dias:

"21/02 - Cortar o cabelo''

''03/05 - Terminar o artigo''

'' Hoje - SER MAIS CALMAAAAAA, ORAS!!!!!!!!''

Agenda e caneta, aliás, são meus mais novos vícios. Parece-me que mesmo com a certeza da necessidade de uma ação ou do concretizar de um plano, e ainda que o fato seja suficientemente importante para eu não esquecer, escrevo para ter a confirmação de que tudo sairá como previsto. É como se as palavras pudessem fazer a mágica de garantir que as coisas não fujam ao meu controle e me dissessem a cada letra desenhada: ''Colocou no papel não tem jeito de dar errado, hein''.

Não por acaso sigo o velho conselho de que se queres uma coisa, escreva. O segredo estará no combo ''desejar-escrever''. A palavra diz para o mundo; especialmente a escrita, que - veja que coisa linda! -, é a materialização de sons (neste momento começo a imaginar milhares de letrinhas fluorescentes saindo de nossas bocas e caindo no papel num balé gracioso). Eu não poderia ver algo além de mágica nisso tudo.

E se num instante vier a minha mente frases como ''Viver o hoje'' e ''Agradecer a Deus'' não hesito em escrevê-las. Pelo menos por um instante, escrever, em si, será viver o hoje e agradecer a Deus.

-x-

Já disse o quanto estou apaixonada pelas crônicas de Clarice Lispector?