sexta-feira, 27 de julho de 2012

Quentura


(Foto de um dia muito feliz, em João Pessoa)

"Felicidade pode ser qualquer coisa

Uma cachaça, um beijo, um orgasmo

Um futebol na tarde de domingo

Uma canção de Roberto e Erasmo"

(Zeca Baleiro)


Deixando o fórum hoje, às 13 e 30 da tarde, me deu uma vontade irresistível de sentir o calor Sol. O dia estava abafado e era daquela umidade quente que eu precisava. 

No interior do prédio, somente ar-condicionado. Da minha sala não vejo a luz de fora, de modo que podem correr horas sem que eu tenha ideia de quanto tempo se passou - exceto pelos olhares frequentes ao relógio, que hoje, particularmente, estavam mais insistentes. 

Há qualquer coisa artificialmente irritante no ar-condicionado. Não se sente a temperatura externa e o mundo ao redor parece ainda mais distante. Tenho a impressão de estar permanentemente inserida numa bolha de isolamento gelada, insípida, fora da qual há sons, cores, odores...  

Então hoje eu senti saudade. Há quanto tempo não me deixava tocar por raios ultravioletas! Desejei experimentar a natureza, o calor (apesar da camisa social que eu vestia), a brisa, o cheiro da rua. E permaneci parada por alguns minutos, fazendo do alambrado meu repouso e do Sol meu acalento. Quando o rosto começou a queimar, quando o mundo começou a fazer marcas em mim, achei por bem me abrigar à sombra. Já havia experimentado minha felicidade.  

-x-

P.S.: Talvez eu esteja precisando ir à praia!