segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Metas de leitura para 2015



Como de costume, no dia primeiro de janeiro, saquei a agenda que havia comprado para o novo ano e iniciei o registro das minhas resoluções para os meses seguintes. Dentre os objetivos que tracei para este ano, compartilho por aqui as minhas metas de leitura, esperando que a sua publicidade forneça uma motivação a mais para cumpri-las - o que, aliás, me faz perceber que a escrita é uma necessidade pessoal, por mais que tantas vezes eu esqueça disso. Enfim, eis as resoluções:


1) Ler mais livros de não-ficção - jurídicos não contam!


A literatura fictícia, romanceada, já faz parte da minha rotina. Sempre foi minha válvula de escape diante das preocupações cotidianas e da aridez das leituras jurídicas (especialmente em se tratando do estudo dogmático), de modo que  "ler mais romances" não é uma meta a ser alcançada: diria que é mesmo uma questão de higidez mental.

Acontece que sempre tive alguma resistência à literatura de não-ficção. Biografias, auto-biografias, livros-reportagem e narrações de interesse puramente histórico, científico e motivacional sempre foram desafios para mim: foram muitos os livros não-fictícios que deixei pela metade, por perda de interesse ou pelo fato de ter iniciado a leitura de uma ficção empolgante, em seu detrimento.

É verdade que os romances ensinam muito, sobretudo sobre a alma humana (existiria ensinamento mais salutar que esse?). Ocorre que, na literatura fictícia, determinados temas não são aprofundados como deveriam; além disso, nem sempre os romances têm a pretensão de serem fiéis à realidade, de modo que - reconheço - minha formação tem lacunas que poderiam ser supridas simplesmente se eu me determinasse a ler as não-ficções que estão ao meu alcance, na estante de casa.

Sendo assim, essa é a minha primeira meta literária de 2015. E como comecei o ano decidida a cumpri-la, tenho duas não-ficções engatilhadas - uma já está sendo lida, enquanto a próxima já está na minha cabeceira. A primeira chama-se "Foco", de Daniel Goleman, psicólogo formado pela Universidade Harvard, que escreve a respeito da "atenção e seu papel fundamental para o sucesso". Para minha verdadeira surpresa, estou gostando muito desse livro, que - de uma maneira elegante e bem escrita - tem me chamado a atenção (com o perdão do trocadilho) para algumas questões cruciais de nosso tempo. Fico devendo mais detalhes, pois acredito que ele merece uma abordagem mais aprofundada, e também pelo fato de que não concluí a leitura.

A segunda ficção (aquela que está na cabeceira) recebe o nome de "O brilho do bronze" e constitui a versão publicada de um diário escrito pelo já consagrado historiador Boris Fausto, na qual é narrado o cotidiano de seu processo de luto em virtude do falecimento sua esposa, Cynira. Algumas páginas folheadas me deram a sensação de que Boris Fausto irá me empolgar (e, mais, me marcar). Estou na torcida.

2)   Ler mais livros em línguas estrangeiras

Eis uma meta que todo ano está no topo da lista. A leitura em outros idiomas exige, invariavelmente, algum esforço (dependendo, é claro, do domínio da língua estrangeira), motivo pelo qual tenho adiado o cumprimento dessa resolução e optado por traduções nem sempre tão interessantes quanto os textos originais. E como não me considero uma pessoa hábil em idiomas (diria que sou esforçada), essas leituras me demandam dose extra de energia, de modo que nem sempre estou disposta a tanto. De qualquer modo, aí está mais uma meta, que traz diversos ganhos, dentre os quais estão a prática da língua, a melhoria da memória, o acesso à informação na fonte e a ampliação do vocabulário. Nesse sentido, alguns livros já tenho aqui e outros tantos podem ser facilmente conseguidos na internet, até mesmo gratuitamente em lojas virtuais como o Itunes. Sem desculpas.

3) Ampliar leituras em Filosofia, da Grécia ao Século XIII

Já faz alguns anos que tomei emprestado de meu tio o clássico livro "História da Filosofia" (Volume I), de Giovanni Reale e Dario Antiseri. O livro vai das "origens gregas do pensamento ocidental" ao "século XIII e as grandes sistematizações da relação entre razão e fé". Lembra-se dele, tio Cacá? Pois é, nunca fiz valer o empréstimo e (admito) não o devolvi porque nunca atingi o intento de concluir a leitura.

Ocorre que, às vésperas de iniciar o mestrado em Filosofia e Teoria Geral do Direito na USP, percebi que me falta certa sistematização do pensamento filosófico, especialmente no recorte histórico do livro. Apesar de, em tese, a Filosofia do Direito constituir um ramo apartado da Filosofia em geral - já que orbita em torno dos institutos jurídicos - uma boa base de história do pensamento filosófico e científico é imprescindível a qualquer pessoa (que dirá de alguém que se propõe a estudar a Filosofia do Direito!). Sendo assim, eis a minha última meta de leitura para 2015 e possivelmente a mais importante: aprofundar-me nos estudos da Filosofia grega e, especialmente, a medieval, sobre a qual sou mais carente de estudo.

-x-

1) Aí estão. Serei capaz de conciliá-las com as leituras da Filosofia do Direito? Penso que se não houvesse uma interrogação, não seria uma meta. De qualquer modo, naquilo que for possível, compartilharei por aqui minhas impressões!


2) Relendo o texto, percebi que "Foco" é um excelente título para um livro-meta-de-leitura. Sugestivo!



3) Feliz 2015!